Estar aqui em Lisboa, estar no c.e.m, estar aqui com você escrevendo... Penso cada vez mais que não é para, é uma tentativa de estar com, andar ao lado. Me interessa que você esteja junto comigo enquanto lê.
É quase um desafio. Tirar fotos, conversar com alguém, olhar uma dança, dançar, descansar. Onde quer que eu esteja, ou não esteja. Mas em todas as ações há um estado presente no meu corpo, há uma presença com uma textura diferente.
No começo de tudo, já lá dentro do útero, as células do embrião se desdobram e passeiam por diferentes lugares, no que ainda nem é um corpo de uma pessoa, as células passam por lá e por cá, e nessa dança a cada lugar que visitam elas mudam, elas são sempre elas, mas assumem diferentes qualidades em diferentes momentos. Em momentos estão mais para fora e em outros estão mais para dentro, e conforme o trajeto desse passeio elas se alteram visivelmente, só pelo fato de estarem lá ou cá.
Essa dança ainda está presente! Temos uma organização, somos cada um uma organização, e essa organização já tem em si uma potência, já tem uma especialização, eu tenho em mim a especialidade de ser Lyncoln, e conforme passeio por aí, outros Lyncolns aparecem dentro dessa organização. As mãos são as mãos, e por isso estão onde estão e se especializam em tocar, mas de certo que elas tem outras especialidades dentro dessa organização, dentro dessa forma. É que há o antes da forma, há a função, há o antes da função, há o movimento, e há o antes... Há a mancha, como diz a Sofia Neuparth, e essa mancha é especializada em manchar, manchar de novo e ainda assim manchar novamente.
No meio disso tudo, nas distâncias entre mim e mim, “como eu faço a informação virar conhecimento?” Uma perguntinha da Sofia... Como é que posso não fixar a minha organização, não se trata de esperar uma especialização, não há um tempo marcado para se chegar ao conhecimento, assim como não há um tempo certo para fazer perguntas, é só levantar mão e começar a falar... já lá está. Não duvide disso. Eu poderia não escrever... eu poderia esperar para ser mais claro, eu poderia ter uma opinião guardada no bolso para cada questão que existe no mundo... mas é que informação ocupa espaço e conhecimento não. Percebe? Não é sobre acumular.
Não é para. É estar com... e antes disso: É.
“As histórias tem que ser contadas” porque elas têm que ser contadas, assim como a dança É para ser dançada. Assim como eu sou para não ser e ser.
domingo, 29 de novembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
há algumas coisas...
Há algumas coisas, há algumas pessoas. Há o Peter Michael Dietz que ja esteve aqui presente, há a Sofia Neuparth que chegaremos lá, e há a companhia de Juliana Alves. Lá vai um vídeo que captamos numa das nossas andanças.Um vídeo cheio de espaços, espaços reais, imaginarios, virtuais... deixemos que seus proprios olhos vejam!
http://www.youtube.com/watch?v=WxgaxdJk_uI
http://www.youtube.com/watch?v=WxgaxdJk_uI
Sobre começos e sobre o não alcançar...

Começo mesmo não sendo esse o começo... Escrevo agora o que eu não sei... eu poderia mesmo não escrever. Um dia o Peter me provocou: “quando você voltar para o Brasil, vão te fazer muitas perguntas, e você vai ter imensa dificuldade de falar sobre o que viveu aqui”. Deixo claro desde já, e talvez seja a única coisa clara que você vai ler aqui: não quero chegar a algum lugar com isso, não quero encontrar uma explicação para o meu não saber falar ou escrever. Quero escrever esse não saber explicar.
Convido você a estar junto comigo. Convido a você a me ajudar a não ser exato - seria injusta a exatidão para aquilo que não se alcança – e quando me apanharem colocando uma palavra no bolso e levando como simples bagagem, fazendo dela mais uma linda aquisição, me lembrem: “olha lá Lyncoln, não silencie esse espaço”.
Não é sobre guardar, não é sobre entender, não é sobre conseguir, não é sobre ter, não é sobre estar pronto, não é sobre nada, não é sobre tudo, e, sobretudo não é sobre mim. Não quero mesmo ser categórico, aliás não é sobre categorizar... é sobre a não categoria das coisas. É sobre as coisas e é sobre o fato das coisas nunca serem sobre as coisas... eu não quero te confundir, é isso mesmo que você está lendo... as coisas nunca são sobre as coisas. É nesse tsuname que te convido a sondar, é com esses óculos que proponho que olhemos para fora e para dentro.
Estou em Lisboa.
É com um pouco de pudor que digo que o que faço aqui tem algo a ver com o conhecimento do corpo (? É que isso é muito intimo!). O c.e.m – centro em movimento é um espaço que estou usando, ocupando, habitando, é um espaço onde meu corpo é diferente – assim como é diferente em qualquer outro lugar – o que acontece é que estando no c.e.m encontro no meu corpo uma qualidade, uma abertura para mais possibilidades. Uma provocação pra não silenciar espaços – lembra-se disso?!
O que isso quer dizer?
Pois então... quer dizer “imensa coisa”, como se diz por aqui. E eu não quero te aborrecer enumerando todas elas. O que me interessa agora é compartilhar essa incapacidade de falar sobre as experiências que vivo aqui.
Assim, entremos na viagem!
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