quinta-feira, 15 de abril de 2010

O que foi a F.I.A. – Como posso continuar?


Um intenso percurso de alguns meses (que pareceram anos e passaram tão rápido)...

Acaba de passar por mim a Formação Intensiva Acompanhada do c.e.m-centro em movimento, e a sensação é de vento, o vento que passa por dentro de casa e traz novas luzes. Esse percurso de 6 meses se integra ao percurso que já havia antes da F.I.A. Para mim não é mais um curso dos vários que já fiz, é mesmo um trabalhar da minha presença e um alinhar de questões que já existiam antes. Um encontro. Escrevo isso dessa forma, pois percebo que na F.I.A. não há alunos que fazem o primeiro o segundo e o terceiro ano, a própria F.I.A. também avança e pessoas possíveis estão com ela.

Sintonizar freqüências, vibrar juntos.

Como posso ter autonomia para abrir espaços em mim e fora de mim?

É um trabalho em mim, mas que se desdobra para o(s) outro(s), e esse outro pode ser qualquer ser, e que volta para mim e que vai novamente em direção ao outro. Deslocamentos de territórios, e se há um território há de haver uma(s) porta(s) a ser(em) aberta(s), e se ainda não for tempo de dar um passo para além da porta, deixamos a porta aberta para arejar.

Durante os laboratórios há essa ambiência de ser um ser, de brotar do solo, e de poder entender que o movimento do brotar é acompanhado como uma onda, por trepidações de vida que fortalece e faz crescer para cima e para baixo, para lá e para cá... Depois há também, com o crescimento, o espalhar do cheiro de cada broto no ar, e a importância da presença do cheiro de cada um.

É forte o movimento de avançar. O tempo da formação é um tempo de avançar, de compreender o movimento das coisas e que o movimento gera movimentos, e que gera e gera gera... é uma gestação. É uma mulher grávida. Um corpo que gera movimentos porque está vivo e por isso gera outro corpo, outra vida. Essa é a dança da minha formação, a dança da gestação, da criação. Um movimento de braço que se alinha com o movimento da criação do braço, que deixa o braço se mover pela honra de ser braço.
Costumo dizer que na F.I.A. se trabalha com substâncias, com coisas muito físicas, trazemos tudo para o movimento para que faça sentido, para estar mesmo naquilo que se experiência, não são simplesmente conteúdos importantes de serem assimilados, a questão é “onde e como estas naquilo que tu fazes”.

E vibra na carne e ecoa pelo vento.

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