Tenho dançado muito próximo da política esses dias, não decido isso é um movimento que tem insistido.
Essas palavras vêm do meio da multidão e da urgência que senti em não perder a escuta de mim.
Há um ato político na presença no estar vivo no mundo. Tenho percebido que a presença não é algo reconhecível que guarda em si registros e espelhamentos, que a presença não ocupa espaço, não domino territórios com a minha presença. Tenho percebido na presença (minha, tua, nossa) um ato político que se inaugura a cada segundo. Busco mais resistência para poder ter na minha presença muito mais aberturas do que afirmações, deixo-me ser para que o outro possa ser o que seja.
Insisto em construir encontros justos sem preencher de expectativas o meu ir em direção ao outro, assim como insisto em seguir sem me sufocar a toda imposição de uma representação de mim desenhada pela expectativa do outro. Não posso desistir de continuar vivendo cada momento que me chega, para me fixar em algum lugar de mim que me aprisiona numa figura já desenhada ou numa figura que um dia se desenhará perfeita.
Insisto no ato político de estar presente e possibilitar ser o que posso ser agora para que você possa ser o que é agora, insisto em não desenhar hoje as nuvens que estarão no céu amanhã.
Permito esse texto ser o que é sem antes planeá-lo e pensar se vai ser bem lido ou não. Deixo que ele possa ser o que é, mas não me desimplico de escrevê-lo.
Não é mesmo sobre mim, não escrevo porque são essas as minhas palavras, mas porque é importante que alguém as diga mesmo que esse alguém seja eu, e espero que isso não desimplique a você de poder escrevê-las um dia.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
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