domingo, 29 de novembro de 2009

Estar aqui em Lisboa, estar no c.e.m, estar aqui com você escrevendo... Penso cada vez mais que não é para, é uma tentativa de estar com, andar ao lado. Me interessa que você esteja junto comigo enquanto lê.

É quase um desafio. Tirar fotos, conversar com alguém, olhar uma dança, dançar, descansar. Onde quer que eu esteja, ou não esteja. Mas em todas as ações há um estado presente no meu corpo, há uma presença com uma textura diferente.
No começo de tudo, já lá dentro do útero, as células do embrião se desdobram e passeiam por diferentes lugares, no que ainda nem é um corpo de uma pessoa, as células passam por lá e por cá, e nessa dança a cada lugar que visitam elas mudam, elas são sempre elas, mas assumem diferentes qualidades em diferentes momentos. Em momentos estão mais para fora e em outros estão mais para dentro, e conforme o trajeto desse passeio elas se alteram visivelmente, só pelo fato de estarem lá ou cá.

Essa dança ainda está presente! Temos uma organização, somos cada um uma organização, e essa organização já tem em si uma potência, já tem uma especialização, eu tenho em mim a especialidade de ser Lyncoln, e conforme passeio por aí, outros Lyncolns aparecem dentro dessa organização. As mãos são as mãos, e por isso estão onde estão e se especializam em tocar, mas de certo que elas tem outras especialidades dentro dessa organização, dentro dessa forma. É que há o antes da forma, há a função, há o antes da função, há o movimento, e há o antes... Há a mancha, como diz a Sofia Neuparth, e essa mancha é especializada em manchar, manchar de novo e ainda assim manchar novamente.

No meio disso tudo, nas distâncias entre mim e mim, “como eu faço a informação virar conhecimento?” Uma perguntinha da Sofia... Como é que posso não fixar a minha organização, não se trata de esperar uma especialização, não há um tempo marcado para se chegar ao conhecimento, assim como não há um tempo certo para fazer perguntas, é só levantar mão e começar a falar... já lá está. Não duvide disso. Eu poderia não escrever... eu poderia esperar para ser mais claro, eu poderia ter uma opinião guardada no bolso para cada questão que existe no mundo... mas é que informação ocupa espaço e conhecimento não. Percebe? Não é sobre acumular.
Não é para. É estar com... e antes disso: É.

“As histórias tem que ser contadas” porque elas têm que ser contadas, assim como a dança É para ser dançada. Assim como eu sou para não ser e ser.

2 comentários:

  1. Eis que ao procurar meu amigo o encontro...o encontro se reencontrado em fragmentos compactos e expansivos...Vejo vc tão diferente e tão mais perto, pois este estado "detetive" está muito forte em mim tb... Estou em tantas lugares e vejo que estou em vc, como vc está em mim...Mesmo que este textoe steja falando de vc, tb se trata um pouco de algo em mim...Só assim sei de vc, pelas letras...
    Lyncoln, lyncoln...Quem será este? Onde está?

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  2. muito bom receber seu comentario Aline, gosto muito de ler você, e perceber que você se reconhece nos textos... isso só me reforça a idéia de que não estou escrevendo sobre mim como digo no primeiro texto!!! ah, me pergunto todos os dias: "Lyncoln, lyncoln...Quem será este? Onde está?".

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