
Começo mesmo não sendo esse o começo... Escrevo agora o que eu não sei... eu poderia mesmo não escrever. Um dia o Peter me provocou: “quando você voltar para o Brasil, vão te fazer muitas perguntas, e você vai ter imensa dificuldade de falar sobre o que viveu aqui”. Deixo claro desde já, e talvez seja a única coisa clara que você vai ler aqui: não quero chegar a algum lugar com isso, não quero encontrar uma explicação para o meu não saber falar ou escrever. Quero escrever esse não saber explicar.
Convido você a estar junto comigo. Convido a você a me ajudar a não ser exato - seria injusta a exatidão para aquilo que não se alcança – e quando me apanharem colocando uma palavra no bolso e levando como simples bagagem, fazendo dela mais uma linda aquisição, me lembrem: “olha lá Lyncoln, não silencie esse espaço”.
Não é sobre guardar, não é sobre entender, não é sobre conseguir, não é sobre ter, não é sobre estar pronto, não é sobre nada, não é sobre tudo, e, sobretudo não é sobre mim. Não quero mesmo ser categórico, aliás não é sobre categorizar... é sobre a não categoria das coisas. É sobre as coisas e é sobre o fato das coisas nunca serem sobre as coisas... eu não quero te confundir, é isso mesmo que você está lendo... as coisas nunca são sobre as coisas. É nesse tsuname que te convido a sondar, é com esses óculos que proponho que olhemos para fora e para dentro.
Estou em Lisboa.
É com um pouco de pudor que digo que o que faço aqui tem algo a ver com o conhecimento do corpo (? É que isso é muito intimo!). O c.e.m – centro em movimento é um espaço que estou usando, ocupando, habitando, é um espaço onde meu corpo é diferente – assim como é diferente em qualquer outro lugar – o que acontece é que estando no c.e.m encontro no meu corpo uma qualidade, uma abertura para mais possibilidades. Uma provocação pra não silenciar espaços – lembra-se disso?!
O que isso quer dizer?
Pois então... quer dizer “imensa coisa”, como se diz por aqui. E eu não quero te aborrecer enumerando todas elas. O que me interessa agora é compartilhar essa incapacidade de falar sobre as experiências que vivo aqui.
Assim, entremos na viagem!

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