Tenho dançado muito próximo da política esses dias, não decido isso é um movimento que tem insistido.
Essas palavras vêm do meio da multidão e da urgência que senti em não perder a escuta de mim.
Há um ato político na presença no estar vivo no mundo. Tenho percebido que a presença não é algo reconhecível que guarda em si registros e espelhamentos, que a presença não ocupa espaço, não domino territórios com a minha presença. Tenho percebido na presença (minha, tua, nossa) um ato político que se inaugura a cada segundo. Busco mais resistência para poder ter na minha presença muito mais aberturas do que afirmações, deixo-me ser para que o outro possa ser o que seja.
Insisto em construir encontros justos sem preencher de expectativas o meu ir em direção ao outro, assim como insisto em seguir sem me sufocar a toda imposição de uma representação de mim desenhada pela expectativa do outro. Não posso desistir de continuar vivendo cada momento que me chega, para me fixar em algum lugar de mim que me aprisiona numa figura já desenhada ou numa figura que um dia se desenhará perfeita.
Insisto no ato político de estar presente e possibilitar ser o que posso ser agora para que você possa ser o que é agora, insisto em não desenhar hoje as nuvens que estarão no céu amanhã.
Permito esse texto ser o que é sem antes planeá-lo e pensar se vai ser bem lido ou não. Deixo que ele possa ser o que é, mas não me desimplico de escrevê-lo.
Não é mesmo sobre mim, não escrevo porque são essas as minhas palavras, mas porque é importante que alguém as diga mesmo que esse alguém seja eu, e espero que isso não desimplique a você de poder escrevê-las um dia.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Novo Ciclo que se abre!!!
Tenho dançado muito próximo da política esses dias, não decido isso é um movimento que tem insistido.
Essas palavras vêm do meio da multidão e da urgência que senti em não perder a escuta de mim.
Há um ato político na presença no estar vivo no mundo. Tenho percebido que a presença não é algo reconhecível que guarda em si registros e espelhamentos, que a presença não ocupa espaço, não domino territórios com a minha presença. Tenho percebido na presença (minha, tua, nossa) um ato político que se inaugura a cada segundo. Busco mais resistência para poder ter na minha presença muito mais aberturas do que afirmações, deixo-me ser para que o outro possa ser o que seja.
Insisto em construir encontros justos sem preencher de expectativas o meu ir em direção ao outro, assim como insisto em seguir sem me sufocar a toda imposição de uma representação de mim desenhada pela expectativa do outro. Não posso desistir de continuar vivendo cada momento que me chega, para me fixar em algum lugar de mim que me aprisiona numa figura já desenhada ou numa figura que um dia se desenhará perfeita.
Insisto no ato político de estar presente e possibilitar ser o que posso ser agora para que você possa ser o que é agora, insisto em não desenhar hoje as nuvens que estarão no céu amanhã.
Permito esse texto ser o que é sem antes planeá-lo e pensar se vai ser bem lido ou não. Deixo que ele possa ser o que é, mas não me desimplico de escrevê-lo.
Não é mesmo sobre mim, não escrevo porque são essas as minhas palavras, mas porque é importante que alguém as diga mesmo que esse alguém seja eu, e espero que isso não desimplique a você de poder escrevê-las um dia.
Essas palavras vêm do meio da multidão e da urgência que senti em não perder a escuta de mim.
Há um ato político na presença no estar vivo no mundo. Tenho percebido que a presença não é algo reconhecível que guarda em si registros e espelhamentos, que a presença não ocupa espaço, não domino territórios com a minha presença. Tenho percebido na presença (minha, tua, nossa) um ato político que se inaugura a cada segundo. Busco mais resistência para poder ter na minha presença muito mais aberturas do que afirmações, deixo-me ser para que o outro possa ser o que seja.
Insisto em construir encontros justos sem preencher de expectativas o meu ir em direção ao outro, assim como insisto em seguir sem me sufocar a toda imposição de uma representação de mim desenhada pela expectativa do outro. Não posso desistir de continuar vivendo cada momento que me chega, para me fixar em algum lugar de mim que me aprisiona numa figura já desenhada ou numa figura que um dia se desenhará perfeita.
Insisto no ato político de estar presente e possibilitar ser o que posso ser agora para que você possa ser o que é agora, insisto em não desenhar hoje as nuvens que estarão no céu amanhã.
Permito esse texto ser o que é sem antes planeá-lo e pensar se vai ser bem lido ou não. Deixo que ele possa ser o que é, mas não me desimplico de escrevê-lo.
Não é mesmo sobre mim, não escrevo porque são essas as minhas palavras, mas porque é importante que alguém as diga mesmo que esse alguém seja eu, e espero que isso não desimplique a você de poder escrevê-las um dia.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
O que foi a F.I.A. – Como posso continuar?
Um intenso percurso de alguns meses (que pareceram anos e passaram tão rápido)...
Acaba de passar por mim a Formação Intensiva Acompanhada do c.e.m-centro em movimento, e a sensação é de vento, o vento que passa por dentro de casa e traz novas luzes. Esse percurso de 6 meses se integra ao percurso que já havia antes da F.I.A. Para mim não é mais um curso dos vários que já fiz, é mesmo um trabalhar da minha presença e um alinhar de questões que já existiam antes. Um encontro. Escrevo isso dessa forma, pois percebo que na F.I.A. não há alunos que fazem o primeiro o segundo e o terceiro ano, a própria F.I.A. também avança e pessoas possíveis estão com ela.
Sintonizar freqüências, vibrar juntos.
Como posso ter autonomia para abrir espaços em mim e fora de mim?
É um trabalho em mim, mas que se desdobra para o(s) outro(s), e esse outro pode ser qualquer ser, e que volta para mim e que vai novamente em direção ao outro. Deslocamentos de territórios, e se há um território há de haver uma(s) porta(s) a ser(em) aberta(s), e se ainda não for tempo de dar um passo para além da porta, deixamos a porta aberta para arejar.
Durante os laboratórios há essa ambiência de ser um ser, de brotar do solo, e de poder entender que o movimento do brotar é acompanhado como uma onda, por trepidações de vida que fortalece e faz crescer para cima e para baixo, para lá e para cá... Depois há também, com o crescimento, o espalhar do cheiro de cada broto no ar, e a importância da presença do cheiro de cada um.
É forte o movimento de avançar. O tempo da formação é um tempo de avançar, de compreender o movimento das coisas e que o movimento gera movimentos, e que gera e gera gera... é uma gestação. É uma mulher grávida. Um corpo que gera movimentos porque está vivo e por isso gera outro corpo, outra vida. Essa é a dança da minha formação, a dança da gestação, da criação. Um movimento de braço que se alinha com o movimento da criação do braço, que deixa o braço se mover pela honra de ser braço.
Costumo dizer que na F.I.A. se trabalha com substâncias, com coisas muito físicas, trazemos tudo para o movimento para que faça sentido, para estar mesmo naquilo que se experiência, não são simplesmente conteúdos importantes de serem assimilados, a questão é “onde e como estas naquilo que tu fazes”.
E vibra na carne e ecoa pelo vento.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Nesse mês de Janeiro, os laboratórios da F.I.A. têm sido na rua, estamos investigando fora do estúdio. Nessa dança tenho me deparado com o invisível e o visível, com o interior e o exterior!
Esses dias, ao andar pelas ruas da Mouraria, vi várias pessoas que cruzaram por mim, assim como quem sai do quarto para ir ao banheiro, com muita tranqüilidade e naturalidade. Estando lá junto a essas pessoas andando, pensei que não estava só vendo o seu andar cotidiano, com os olhos de um visitante que nunca mais as veria, percebi que elas tinham coisas com elas que eu talvez não enxergasse, mas percebia... algo além do exterior delas, coisas interiores estavam na imagem delas. Aí eu me pergunto, o interior é mais visível que o exterior? Até onde vai o meu enxergar? O que se passa no interior é invisível?
Dancei, então, o choro que é para dentro, o riso que é para dentro... Percebi que tenho um padrão de pensar, que se há coisas que estão dentro, no interior, então são invisíveis. Como é doído o choro que escorre para dentro... como esse choro poderia não ser enxergado? E pensar que tantas coisas estão tão pra fora, e que de tão externas que são, ficam difíceis de olhar... quanto há no exterior que não enxergamos!
Esses últimos dias, temos estudado o sistema digestivo, e observado todo o longo processo que há do alimento ao entrar para dentro do corpo... são tantas fases, há o mastigar, há o engolir, há o tempo de transformação no estômago e as conversas desse com o fígado, as longas curvas do caracol que é o intestino delgado, e depois o grosso... até termos o produto que saí e retorna ao exterior! E quantas fases eu pulei aqui, são muitos movimentos desde a entrada até a saída, é um longo processo, cheio de estágios diferentes. E quantos estágios pulo na minha digestão? Será que tenho noção do quanto podem ser longos e importantes os estágios que não considero nesse processo? Só por ser interno eu desconsidero?
É realmente rico e vital esse processo de alimentação, de digestão! Onde ele começa? No colocar do alimento na boca? Ou antes, no cortar os alimentos? Ou antes, na escolha do que comer? Ou antes, no considerar como aquilo que se come é feito? E como termina esse processo? Pela descarga, simplesmente?
Tudo isso me reporta para a minha experiência dentro do c.e.m, na expansão do que pode ser um “ser artista no mundo”! É perigoso mesmo esse território! Quais os estágios, os processos que considero e os que não considero?! As questões são as mesmas... onde começa e onde termina?
Como é bom abrir a janela, andar na rua... e perceber o respirar da cidade, todos os interiores e exteriores presentes, as visibilidades e as invisibilidades. Fica tão distante o pensamento de que tenho que parar para criar, que tenho que ir achar inspiração, de que há talento... que comprometimento é esse? Como pensar apenas no cocô que vai sair daqui a pouco, se já há mais coisas no meu estômago... como considerar apenas uma parte, se é próprio do corpo a necessidade de continuar comendo e continuar cagando! Continuar.., é comprometer-se com esse continuar... então por que parar numa fase? Como é que pulamos etapas... Ah que má digestão!
Adelante... Continuar... Considerando que há varias etapas dessa digestão criativa! Claro que às vezes é o esôfago que fala mais alto, mas os rins estão lá trabalhando na mesma! É tão próprio do corpo isso, de haver vários movimentos presentes no mesmo tempo, e é tão difícil perceber isso cá fora, olhando pra cidade... E é tão lindo saber que no riso também há choro, mesmo que escorram as lágrimas invisíveis... há tudo. Considero que às vezes é possível sorrir e às vezes é possível chorar, mas poderia chorar ao invés de rir, poderia odiar estar aqui... poderia não escrever.
Esses dias, ao andar pelas ruas da Mouraria, vi várias pessoas que cruzaram por mim, assim como quem sai do quarto para ir ao banheiro, com muita tranqüilidade e naturalidade. Estando lá junto a essas pessoas andando, pensei que não estava só vendo o seu andar cotidiano, com os olhos de um visitante que nunca mais as veria, percebi que elas tinham coisas com elas que eu talvez não enxergasse, mas percebia... algo além do exterior delas, coisas interiores estavam na imagem delas. Aí eu me pergunto, o interior é mais visível que o exterior? Até onde vai o meu enxergar? O que se passa no interior é invisível?
Dancei, então, o choro que é para dentro, o riso que é para dentro... Percebi que tenho um padrão de pensar, que se há coisas que estão dentro, no interior, então são invisíveis. Como é doído o choro que escorre para dentro... como esse choro poderia não ser enxergado? E pensar que tantas coisas estão tão pra fora, e que de tão externas que são, ficam difíceis de olhar... quanto há no exterior que não enxergamos!
Esses últimos dias, temos estudado o sistema digestivo, e observado todo o longo processo que há do alimento ao entrar para dentro do corpo... são tantas fases, há o mastigar, há o engolir, há o tempo de transformação no estômago e as conversas desse com o fígado, as longas curvas do caracol que é o intestino delgado, e depois o grosso... até termos o produto que saí e retorna ao exterior! E quantas fases eu pulei aqui, são muitos movimentos desde a entrada até a saída, é um longo processo, cheio de estágios diferentes. E quantos estágios pulo na minha digestão? Será que tenho noção do quanto podem ser longos e importantes os estágios que não considero nesse processo? Só por ser interno eu desconsidero?
É realmente rico e vital esse processo de alimentação, de digestão! Onde ele começa? No colocar do alimento na boca? Ou antes, no cortar os alimentos? Ou antes, na escolha do que comer? Ou antes, no considerar como aquilo que se come é feito? E como termina esse processo? Pela descarga, simplesmente?
Tudo isso me reporta para a minha experiência dentro do c.e.m, na expansão do que pode ser um “ser artista no mundo”! É perigoso mesmo esse território! Quais os estágios, os processos que considero e os que não considero?! As questões são as mesmas... onde começa e onde termina?
Como é bom abrir a janela, andar na rua... e perceber o respirar da cidade, todos os interiores e exteriores presentes, as visibilidades e as invisibilidades. Fica tão distante o pensamento de que tenho que parar para criar, que tenho que ir achar inspiração, de que há talento... que comprometimento é esse? Como pensar apenas no cocô que vai sair daqui a pouco, se já há mais coisas no meu estômago... como considerar apenas uma parte, se é próprio do corpo a necessidade de continuar comendo e continuar cagando! Continuar.., é comprometer-se com esse continuar... então por que parar numa fase? Como é que pulamos etapas... Ah que má digestão!
Adelante... Continuar... Considerando que há varias etapas dessa digestão criativa! Claro que às vezes é o esôfago que fala mais alto, mas os rins estão lá trabalhando na mesma! É tão próprio do corpo isso, de haver vários movimentos presentes no mesmo tempo, e é tão difícil perceber isso cá fora, olhando pra cidade... E é tão lindo saber que no riso também há choro, mesmo que escorram as lágrimas invisíveis... há tudo. Considero que às vezes é possível sorrir e às vezes é possível chorar, mas poderia chorar ao invés de rir, poderia odiar estar aqui... poderia não escrever.
sábado, 2 de janeiro de 2010

É incrível o que se pode ser num momento e depois ser em outro, como é que pode tanta coisa se passar num mesmo espaço, num mesmo corpo, tanta coisa muda em segundos. Ser uma pessoa carrega esses mistérios. Já passei por aqui em outros corpos, de outras maneiras, estou aqui agora de outras maneiras em vários corpos! A minha arte é sobre sobreviver nesses corpos.
Vamos com calma! Isso é bem complicado, eu sei, vamos a diante e vejamos como essa conversa se segue...
Às vezes penso que isso que estou falando se revela nos sonhos. Sonho que estou com 15 anos, 10 anos, retorno, passo pelo mesmo lugar, ou volto àquilo que já se foi. É que não se foi... ainda há... sou eu. Eu ainda tenho 13 anos.
Com isso percebo o quanto ser uma pessoa é complexo. Tenho até medo de ser quem sou, pois não sou só um nome. Dentro do meu presente há a imensidão de ir além do meu presente. Isso me leva a perceber que em um segundo percorro toda a minha existência. Isso até me assombra, pois como saber o quanto posso fazer em um segundo. O que eu escolho fazer agora?!
A escolha não é de agora. Sinto que é assim a minha arte. Não há outra escolha a não ser continuar sobrevivendo com meu corpo no mundo, sendo uma pessoa. Sou uma presença no mundo, e não é indiferente cada segundo meu, e isso não depende de escolhas, não escrevo pelo simples fato de que decido, ou escolho escrever! Ser quem sou não é apenas uma questão a se decidir!
Por isso é muito complicado decidir coisas, escolher caminhos sendo uma pessoa, pois podemos cair num engano, numa redução do que é ser uma pessoa crendo que mudar de direção é afunilar toda uma existência, sendo uma coisa aqui e outra independente lá. Isso me faz pensar que sempre voltamos a nós mesmos, num eterno retorno! Mas como é complexo esse movimento de retornar!
É espantoso como posso me surpreender com coisas que já conheço. Com o retorno... No continuo da vida algumas coisas retornam e me causam espanto pelo quanto ainda posso olhar, como ainda há muito para se perceber.
Assisti novamente o filme “As horas”, é incrível me deparar com todas aquelas questões contidas naqueles diálogos, naquelas imagens. Logo após pensei que poderia escrever, e escrever muito, e escrever mais ainda, até amanhecer!
Por que escuto sempre as mesmas músicas?
Hoje é natal, ano que vem também será, e as musicas vão ser as mesmas. E aprendo tanto com isso!
O filme mistura histórias, desloca situações e todas as histórias se voltam num mesmo ponto... há sempre o desaguar do rio no mar, é como retornar, sem pensar em começar de novo, ou em terminar... não é para terminar que um rio se encontra com o mar. Não é para começar que ele brota do chão. Pois nascendo ou desaguando ainda continua sendo rio... há o movimento rio.
Às vezes percebo que reduzo a idéia de nascer e de morrer... reduzo o que é isso sendo uma pessoa. Pois não é só para nascer que nascemos, não é só pra morrer que morremos, há o movimento de ser pessoa no mundo antes de nascer e esse movimento continua no depois de morrer. E o que vivemos agora contém toda essa vibração!
Por que pensar os ciclos como círculos? Serão sempre circulares?
Com essas reflexões consigo perceber melhor as formas, as tradições, os retornos. O ser alguém.
Penso que a minha letra pode sempre se mostrar diferente, mas é da minha mão que sai. Pensei agora na letra e na mão. As duas são coisas sempre diferentes, sempre mudam, mas o que se passa é o ato de escrever, é para isso que eu retorno. O filme hoje foi outro, diferente de 2 anos atrás, os olhos também já são outros, mas ligam-se as diferenças, as transformações pelo ato de assistir, ou agora de escrever!
Há coisas que me dão suporte para estar vivo.
Há coisas que vivem para outras morrerem. Há coisas que morrem para outras viverem. E nesse movimento todo, nesse ir e vir das águas há as pedras que sempre estão lá em meio à correnteza, há as músicas, os filmes, as danças.
A fome e a comida, a mão e a letra.
Em alguns momentos há a potencialização dessas forças pela urgência de expressões que nada mais são que eu mesmo, que nada mais são do que eu vivendo, que nada mais são do que eu morrendo... Sendo pessoa no mundo, tendo um corpo.
Preciso encontrar sempre essas pedras, essas músicas, esses filmes, sem medo de ficar preso no retornar, ver que nisso já há imenso movimento, não ver nisso o enrijecer. Falando sobre isso, percebo que, como as personagens do filme, também tenho medo da minha própria vida! Medo de ouvir de novo aquela música. De ler e reler o que escrevo. Tenho medo de ser quem sou. Medo de aceitar um caminho, um ritmo. Mas é que muitas vezes não percebo que não é sobre ter certezas... É sobre perceber que ainda há mais naquelas pedras, naquele filme, que há ainda mais para escrever. É sobre perceber que não se vive simplesmente porque se nasce, não se morre simplesmente porque se termina uma vida. É sobre viver uma vida. Amar. Sobreviver num corpo que carrega em si toda a sua existência a cada segundo... e nem por isso se torna pesado..
tem desejos. Segue um caminho... Dança.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Relembrar!!!
Ainda sobre o tempo!
Fiquei pensando muito e enquanto dançava, enquanto olhava, enquanto estava por aí me depararei com tudo o que escrevi anteriormente sobre tempo. Agora me perdoe! Pois gostaria de trocar ainda algumas coisas contigo sobre o tempo! (se bem que acho que sempre estamos falando sobre ele, com ele...)
Trago a palavra RELEMBRAR para o nosso encontro! Mas trago-a fazendo perguntas, trago-a de uma forma que não sei bem olhar. Estou vendo o relembrar como o relembrar de coisas ainda não vividas. O relembrar algo que não é do passado, deve de estar no tempo, mas ainda não vivido. É esquisito mesmo... é muito curioso. Tenho passado por algumas situações que nunca experimentei antes, mas é como se eu já soubesse lidar com elas, pois parecem que estavam lá desde sempre por algum lugar no meu corpo na minha carne... estaria eu falando de instinto?! Não sei. Sei que é uma memória ativa, autônoma, independe de um tempo remoto. Mas acho que não é só isso. Um exemplo: desde que cheguei a Lisboa meu corpo tem se mostrado diferente, tem experimentado um ritmo diferente, um ritmo intenso diário, na luz do sol, no frio. Minha alimentação tem mudado, e com isso tenho comido uma quantidade muito menor de comida, e não faço esforço pra isso. É que é possível. É possível empregar minha atenção e outros sentidos, é possível passar 15 horas dançando num dia. O corpo sabe renovar-se, começar e terminar, renascer. São movimentos que o corpo conhece de longa data... assim é que percebo uma memória que não conhecia, RECORDO uma presença tão minha que ainda não tinha experimentado... que é do próprio corpo. Estou falando de tempo, isso é do tempo! Não sei explicar isso, mas é do tempo. É o corpo a passar pelo tempo. Recordamos porque esquecemos, mas também recordamos porque o corpo avança no tempo, e algumas coisas são constantes mesmo que não nos lembremos.
O coração já esteve acima da cabeça!
Ao fim da terceira semana de gestação o embrião já tem algo que começa se especializar em ser coração. E nesse momento tudo o que está se especializando em ser encéfalo esta mais abaixo do que esta dizendo: “vou ser o coração”. Eis que chega um tempo em que tudo muda... há diversos movimentos, diverso ir e vir nessa dança de um aglomerado de células que começa se preparar, a considerar que um dia ali vai haver um fígado, e mais ao lado vai haver um estômago. E o que vai ser coração passa para baixo e o que vai ser cabeça passa para cima. Isso é o relembrar de que falo. Imagine relembrar fisicamente, experiencialmente que um dia, um dia desses, o seu coração estava acima da sua cabeça, e que você é assim hoje porque um dia houve umas células que trocaram de posição!
Falei mais acima dos movimentos que o corpo conhece de longa data, como o começar, o terminar, o renascer e mesmo o morrer. A data é longa, mas é incrível, porque se você prestar a tenção e olhar o que falo bem de perto, você percebe que esses movimentos tão “primitivos” estão com você agora mesmo!
Essa dança de um dia considerar que ali haverá um fígado e mais ao lado um estômago ainda pode ser sentida, esse ir e vir ainda existe. Fascina-me essa compreensão do gestar! É um constante movimento de urgências, que começa com algumas células que de tanto moverem-se (e movem-se porque é isso podem fazer), vão dividindo-se, multiplicando-se, até não serem mais só células, até formarem rios, caminhos, cidades, até formarem uma pessoa inteira. Mas até chegar aí, é muito ir e vir, são muitos nascimentos, e muitas mortes (já há morte desde o útero), penso que aí é que começa a migração, o ir ou ficar, as despedidas, os encontros, o considerar estar ali ou aqui, as especializações! É tão simples... e por isso é tão difícil de se ver.
Mas é que não é sobre agüentar! É sobre relembrar!
Fiquei pensando muito e enquanto dançava, enquanto olhava, enquanto estava por aí me depararei com tudo o que escrevi anteriormente sobre tempo. Agora me perdoe! Pois gostaria de trocar ainda algumas coisas contigo sobre o tempo! (se bem que acho que sempre estamos falando sobre ele, com ele...)
Trago a palavra RELEMBRAR para o nosso encontro! Mas trago-a fazendo perguntas, trago-a de uma forma que não sei bem olhar. Estou vendo o relembrar como o relembrar de coisas ainda não vividas. O relembrar algo que não é do passado, deve de estar no tempo, mas ainda não vivido. É esquisito mesmo... é muito curioso. Tenho passado por algumas situações que nunca experimentei antes, mas é como se eu já soubesse lidar com elas, pois parecem que estavam lá desde sempre por algum lugar no meu corpo na minha carne... estaria eu falando de instinto?! Não sei. Sei que é uma memória ativa, autônoma, independe de um tempo remoto. Mas acho que não é só isso. Um exemplo: desde que cheguei a Lisboa meu corpo tem se mostrado diferente, tem experimentado um ritmo diferente, um ritmo intenso diário, na luz do sol, no frio. Minha alimentação tem mudado, e com isso tenho comido uma quantidade muito menor de comida, e não faço esforço pra isso. É que é possível. É possível empregar minha atenção e outros sentidos, é possível passar 15 horas dançando num dia. O corpo sabe renovar-se, começar e terminar, renascer. São movimentos que o corpo conhece de longa data... assim é que percebo uma memória que não conhecia, RECORDO uma presença tão minha que ainda não tinha experimentado... que é do próprio corpo. Estou falando de tempo, isso é do tempo! Não sei explicar isso, mas é do tempo. É o corpo a passar pelo tempo. Recordamos porque esquecemos, mas também recordamos porque o corpo avança no tempo, e algumas coisas são constantes mesmo que não nos lembremos.
O coração já esteve acima da cabeça!
Ao fim da terceira semana de gestação o embrião já tem algo que começa se especializar em ser coração. E nesse momento tudo o que está se especializando em ser encéfalo esta mais abaixo do que esta dizendo: “vou ser o coração”. Eis que chega um tempo em que tudo muda... há diversos movimentos, diverso ir e vir nessa dança de um aglomerado de células que começa se preparar, a considerar que um dia ali vai haver um fígado, e mais ao lado vai haver um estômago. E o que vai ser coração passa para baixo e o que vai ser cabeça passa para cima. Isso é o relembrar de que falo. Imagine relembrar fisicamente, experiencialmente que um dia, um dia desses, o seu coração estava acima da sua cabeça, e que você é assim hoje porque um dia houve umas células que trocaram de posição!
Falei mais acima dos movimentos que o corpo conhece de longa data, como o começar, o terminar, o renascer e mesmo o morrer. A data é longa, mas é incrível, porque se você prestar a tenção e olhar o que falo bem de perto, você percebe que esses movimentos tão “primitivos” estão com você agora mesmo!
Essa dança de um dia considerar que ali haverá um fígado e mais ao lado um estômago ainda pode ser sentida, esse ir e vir ainda existe. Fascina-me essa compreensão do gestar! É um constante movimento de urgências, que começa com algumas células que de tanto moverem-se (e movem-se porque é isso podem fazer), vão dividindo-se, multiplicando-se, até não serem mais só células, até formarem rios, caminhos, cidades, até formarem uma pessoa inteira. Mas até chegar aí, é muito ir e vir, são muitos nascimentos, e muitas mortes (já há morte desde o útero), penso que aí é que começa a migração, o ir ou ficar, as despedidas, os encontros, o considerar estar ali ou aqui, as especializações! É tão simples... e por isso é tão difícil de se ver.
Mas é que não é sobre agüentar! É sobre relembrar!
sábado, 12 de dezembro de 2009
Sobre Tempo

Hoje faz exatamente dois meses que cheguei aqui em Portugal!
Exatamente dois meses... bem, isso me soa bem estranho. Está certo que números são números, e que eles têm uma ordem estranha que a gente finge que entende bem. O problema é pensar o tempo no mesmo modo de como se conta até 10. Cheguei aqui há muito tempo, há muitos tempos, ao mesmo tempo... é uma loucura! Já não estou nada certo de como funciona isso que chamamos de tempo... nem sei se estou de acordo que o que chamo de tempo é o mesmo que você chama de tempo. Há quanto tempo estou aqui? É muita coisa aí dentro dessa perguntinha...
Passar o dia a movimentar-se, horas dentro do ir e vir do corpo, percebendo suas constantes alterações... suas manchas. É incrível o quanto mudamos... Estou caminhando e de repente sinto-me tão cansado que poderia desfalecer, e daqui a um minuto estou pulando freneticamente como se tivesse acabado de ganhar na loteria. Deito no chão e de repente me sinto tão sozinho que lágrimas caem dos olhos, viro-me para o lado e uma gargalhada me abre o peito. Tudo isso pode se passar em 10 minutos ou menos... ou em um dia, ou nunca... Com? Também não entendo, pois eu sou uma pessoa, e isso não é sobre ser uma pessoa apenas, pois para ser uma pessoa tem se entender, e isso não se entende...
Não há prazos. Não há chegada. O que sou eu? Isso é muito perigoso. Eu não sou uma coisa que acaba aqui e começa ali. Eu não sou uma coisa só, uma só identidade fixa. Por isso não é sobre guardar, ou conseguir, ou cansar-se... acumular coisas nos enrijece, trava nossas articulações... não é sobre pesar, não é sobre o quando agüento... é sobre se eu posso. Até onde podemos ir aqui?! Já pensou nisso?! Isso te lembra algo em relação ao tempo?!
O que me assusta nisso é te falar: “não posso ficar mais, tenho que sair, meu tempo acabou”. Que limites são esses? Onde paramos? Podemos ir mais? O tempo não é um limite... não dá pra sair... Falo aqui como quem não tem hora pra parar, não falo sobre o que começa as 6h e acaba as 10h. Não acaba!
Falo sobre vazar, sobre continuar, e continuar mesmo sem saber para onde, falo sobre o que não consigo falar... é como ver o invisível, e você pode ver o invisível!
Por isso não é sobre mim. Isso não tem tempo, não tem pai nem mãe, não tem nome, não se segura na mão. Não é um território, não há fronteiras. E não é pra ser difícil! Mas talvez seja... e isso é um mistério! Falo isso tudo, mas sei que faz dois meses que estou aqui, tenho calendários, tenho calculadoras, faço contas... pois não é sobre negação e interrupção ou substituição... é sobre abrir portas e ver mais e mais sem precisar esquecer-se o que já se viu antes!
Tempo...
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